domingo, 29 de outubro de 2017

Diário de dissidente

Noite escura de inverno

Edson Pereira


 Mesmo na noite escura deste inverno,
 Vou lutar até o fim:
 Até a última gota de sangue que percorre em mim,
 Até o último hálito de vida,
 Vou lutar até o fim:
 Mesmo na noite escura deste inverno;

Ainda que na noite escura deste inverno,
Minhas forças vitais desfaleçam,
E minhas pulsões desapareçam,
Mesmo assim vou lutar:
Ainda que seja na noite escura deste inverno;

Acrisolado, na noite escura deste inverno,
Sem chão, sem teto e telhado,
Sem cama e um lençol para agasalhar,
Mesmo assim vou lutar:
Acrisolado, na noite escura deste inverno;

A solidão é traiçoeira na noite escura deste inverno,
Leva embora tudo e todos,
Apenas o que sobrou de mim fica,
Mesmo assim vou lutar:
Na solidão escura deste inverno;

Demônios, na noite escura deste inverno,
Assolam externa e internamente minha vida,
Provocando dores e abrindo novas e velhas feridas,
Mesmo assim vou lutar:
Com todos os demônios na noite escura deste inverno;

Deus, na noite escura deste inverno,
É um reflexo, um desejo, uma pulsão,
Que se perde no mistério e em minha imaginação,
Mesmo assim vou lutar:
Com ou sem deus, na noite escura deste inverno;

A assombrosa noite escura deste inverno,
Indiferente, estranha e severa,
Com todas as formas de vida e espécie,
Mesmo assim vou lutar:
Na assombrosa noite escura deste inverno;

A noite escura deste inverno,
Levou o sol, a lua e as estrelas de mim,
A alegria, a paz e o meu destino,
Mesmo assim vou lutar:
Pela vida que pulsa em mim,
E isso: a noite escura deste inverno, não vai tirar de mim.

  

            










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